sexta-feira, 16 de novembro de 2012

DANADA CONSCIÊNCIA

uma dor dói em minh'alma
dói com tanta violência
é uma dor que não me larga
é a dor da consciência

ela arde no meu peito
me fazendo refletir
sobre o ódio e a sujeira
nesse mundo a existir

às vezes me faz chorar
às vezes me faz sofrer
às vezes me lamentar
à vezes me faz querer

que a vida fosse simples
que todos vivessem em paz
que ninguém tivesse menos
e ninguém quisesse mais

com o tanto de cada um
já fosse o suficiente
acabar com a ganância
que existe nessa gente

cada um no seu lugar
cada qual com o seu tanto
a gente não ia ver 
tanta criança aos prantos

sem na mesa ter comida
sem no pote faltar água
sem maldade, sem inveja
sem rancor, nenhuma mágoa

todo homem ter trabalho
pra viver com honestidade
sustentar sua família
viver com dignidade

eu sei que é impossível
uma coisa dessa assim
mas eu sonho (e como sonho)
que esse dia vai vir

e a danada consciência
é que maltrata o meu peito
me mostrando que as pessoas
ainda tem os seus defeitos

o medo que me apavora
é de um dia eu perder
a danada consciência
que ainda me faz ver

mas tem hora que eu penso
se não ia ser melhor
eu viver sem consciência
no meu mundinho, eu só?

alheio a tudo de ruim
vivendo só minha vida
me preocupando apenas
em curar minhas feridas

talvez aceitasse ajuda
dos que dizem ajudar
talvez crescesse na vida
achando normal enganar

já tentei mas não consigo
viver assim desse jeito
então acho que a consciência
é pra mim mais um defeito

por isso que eu lhe disse
no começo desses versos
que uma coisa me aflige
mas aqui ainda lhe peço

se existir nesse mundo
alguém assim como eu
que pese a consciência
dentro do juízo seu

que ainda ache errado
o mundo ser como é
me acompanhe nessa luta
pra que eu não perca a fé.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Teimosia num círculo vicioso


Amicus Plato, sed magis amica veritas
Amigo de Platão, porém mais amigo da verdade

Caros colegas, permitam que eu me apresente.
Sou mais um brasileiro, oriundo de gente simples, criado com dificuldade por mãe solteira e que abraçou (até sabe-se lá quando) essa causa utópica e improvável, considerando toda a existência de vida humana na Terra. Sou um professor.

Mais um que tenta, tenta nas escolas brasileiras matar um leão por dia, no final das contas é devorado por ele. 

Aquele que tenta, mesmo que inconscientemente, colocar na cabeça desse povo um pouco do conhecimento que há perambulando por aí, para lembrá-lo de que ele pode contribuir com alguma coisa pra sua vida e a dos outros.

O mesmo professor que não tem mais em conta o sono perdido, mas aos olhos de muitos, é o ''inimigo n°1'' da ignorância ostentada como vantagem pelos sem-noção, por saber da malícia dos que produzem as tendenciosas estórias e Histórias surreais manipuladoras e mantém a impressão de que as coisas vão bem e todos somos felizes.

Mais um que, nos discursos dos coronéis da nação, é a chave-mestra do desenvolvimento, da justiça e da moral, embora a cada dia que passe lhe é condicionado que é prejudicial usar caneta vermelha para chamar a atenção sobre os erros que cada geração comete e as correções necessárias.

E quando humanamente também falha, é apedrejado pelos "justos" por ser exemplo raramente seguido
e plenamente combatidos por eles.

Além disso, ainda é convidado a sorrir para atender interesses que visam simplesmente a manutenção do igualdade aparente entre todas as pessoas.

Como disse um amigo meu, o sistema trabalha em prol de si próprio.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Semana da Pátria - Cantar a quê?

Estamos na Semana da Pátria (tem que ser escrito assim, em maiúsculas).
Os alunos formam filas para entoar o Hino Nacional, uma ode ao nosso país.
De vocabulário difícil, incompreensível aos ouvidos atuais.
A ordem das palavras dificulta o entendimento, mas mesmo assim todos cantamos.
Cantar a quê? Eu me pergunto.
Cantar ao país das ilusões?
Ao país do faz-de-conta, onde a palavra da lei não tem vez ante o poder financeiro?
Como exaltar uma nação que ainda teima em não investir na educação do seu próprio povo, quando sabemos claramente que é isso o que realmente nos fará grandes um dia?
Como um povo heroico pode emitir brados retumbantes de paz no futuro e glória no passado sem nem saber o que isso significa?
Como entender que um filho teu não foge à luta se nem estimulado a lutar ele é, devido aos inúmeros programas sociais que findam num comodismo miserável?
Como dizer que em nossos bosques há mais vida, se a cada dia que passa as matas exuberantes que possuímos são destruídas?
Exaltamos, conscientes da realidade, a incompetência dos que governam e a ignorância dos governados.
Palavras cantadas, apenas palavras.
Ainda assim, cantamos.
Mecanicamente, cantamos e exaltamos o país da novela, do futebol e da corrupção.
Viva o Brasil!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Meu reino por um post (ou vice versa)

Há algum tempo atrás li um texto muito interessante no site Observatório da Imprensa (recomendo - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/) que falava sobre como a estupenda invenção de Mark Zuckenberg revolucionou a vida das pessoas. Atualmente, acredito que existam mais de 1 bilhão de usuários na rede social. Todas elas passam um tempo considerável tempo online (assim como este que vos escreve), seja olhando fotos, conversando com amigos ou simplesmente divulgando seus pensamentos.

No texto, o autor comenta a respeito de como o Facebook exerce nas pessoas um tipo de "senso de importância" (não consegui achar o link). É mais ou menos o seguinte: pela Internet, você pode ter inúmeros "amigos", que em muitos casos, são pessoas que a gente conhece apenas de vista e que muito raramente você teria uma conversa amigável, até pela falta de intimidade entre ambos. É só pensar na quantidade de "amigos" que você tem...
Continuando: qualquer coisa que você postar (não sei se é esse o termo correto - acredito que sim) será repassado para todas aquelas pessoas, que vão ou não "curtir" o que você postou.

Aí é que vem o X da questão: o bendito "ego". Quanto mais pessoas curtirem ou comentarem seus posts, mais o usuário se sente influente no meio deles. Não é via de regra, mas imagino que aconteça com grande parte dos usuários da rede. É como se aquelas pessoas fossem um público. Desse modo, muitas vezes isso gera em seus usuários uma necessidade exagerada de se expor, tanto que muitas pessoas passam o dia inteiro conectados. Em muitas situações, tem gente que escreve qualquer coisa na tentativa de chamar atenção, que dentro da rede talvez seja muito bem cotada (ou pelo menos ache que seja), mas que fora dela não receba a atenção que espera.

Enfim, é desse jeito. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

PERCEPÇÃO INSTANTÂNEA

Meu Deus, a vida muda.
Agora percebo isso.
Todas aquelas brincadeiras de criança,
todo aquelee barulho de alegria,
toda aquela gritaria das brigas (que depois de dois dias é como se nunca tivessse acontecido),
todo aquele medo das histórias de trancoso que a gente contava quando faltava energia,
toda aquela vontade de não ser achado quando brincava de "se esconda",
de não ser pego quando era do "trisca",
de tirar a menina mais bonita quando brincava de cai no poço...

Agora eu vejo, meu Deus, que acabou.
Aquela coisa de quando chegar da escola ir direto pra rua jogar bola, até não sei que hora, dizendo pra mãe "já vou!", mas não parava a brincadeira...
Aquele negócio de juntar os "cabinha" pra fazer campeonato de time de botão, apostando os contos feitos com papel de cigarro...
Aquela coisa de jogar bila na calçada (que nem era calçada) e quem perdesse levava uma cachuleta no braço, hein?

Pois é, caba.
Cabou.
Mas pelo menos eu ainda lembro.
Obrigado por isso, meu Deus.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Viva o Rei do Sertão!

“Gostaria que lembrassem que sou filho de Januário e dona Santana. Gostaria que lembrassem muito de mim; que esse sanfoneiro amou muito seu povo, o Sertão. Decantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes. Decantou os valentes, os covardes e também o amor”. Luiz Gonzaga



100 anos de Gonzagão.
É muito tempo.
Quantos vivos existem com essa idade?
Não muitos.
Mas eles conhecem.
Eles sabem de quem se trata.
Eles sabem que por causa dele, foram lembrados.
Sua condição, a vida sofrida, a seca.
A alegria da quadrilha, do xote, das noites de São João.
A triste partida do retirante, que deixa, sem olhar pra trás, uma cabocla, uma choupana e um beijo na boca.
A mesma pernambucana da cintura de pilão, que só pensa em namorar.
Aquele sertanejo que nos versos do poeta, suplica ao Senhor pela chuva, mas que pede perdão por não saber rezar.
A estrada de Canindé, a acauã, o açum preto, a asa branca.
O apelo aos homens da nação, a vontade de voltar e se não for possível, levar o Sertão pra qualquer lugar.
A força do vaqueiro, que toa uma boiada e não leva desaforo pra casa.
A devoção ao Padim Ciço, a Frei Damião e ao Nosso Senhor.
É rapaz.
100 anos de Gonzagão.
Que noutros tantos ele continue lembrado, divulgado e reverenciado.
Mais que música, é a essência sertaneja.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Memórias de uma eterna batalha do porvir

De vez em quando dá um estalo no juízo
e a cabeça pensa
o tanto de coisas
que poderia ter feito
das pessoas que poderia ter influenciado
das atitudes que poderia ter tomado
das vontades que ficaram só na vontade
por falta de oportunidade e de coragem
dos dias de sol que poderia ter aproveitado
das tardes de chuva que poderia ter corrido na rua
ter sido criança de novo
de disseminar o desejo de um mundo diferente
de insistido um pouco mais
no que poderia ter sido mas não foi.
Não porque não quisesse:
mas porque simplesmente
quando ecoavam seus brados retumbantes
cantados em alto e bom tom numa certa ode à pátria
não lhe deram ouvidos.
Foi visto apenas
como uma pedra no sapato
sem utilidade
e facilmente descartado
que ao ser sugado, explorado e humilhado
perderia sua força
sua visão revolucionária
e que muito em breve
quando estivesse cercado
da inerte apatia comum aos que se deixam levar pela força comodista,
se calaria
ou desistiria de sua empreitada na terra
onde os sonhos não passam de sonhos
soterrados na aparente e hipócrita felicidade
sustentada pela perda da dignidade ante o poder capital
que esconde a violência dentro das suas casas protegidas por muros, cercas
e uma camada de maquiagem sobre as fezes proferidas
em tempos de carros de som.
O tempo não levou embora a revolta
O tempo não levou embora a indignação
O tempo não levou embora a esperança.
O tempo serviu para preparar sua alma
    para outras batalhas
    em outros reinos
    onde os outros corações
    sofrem dores parecidas
    com as que ele enfrentou.
A luta não acaba pr'aqueles que acreditam na sua força interior.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Recordações

Às vezes eu penso que eu esqueci de você
parece que nunca existiu o que a gente viveu
Às vezes me pego pensando como pode acontecer
se isso foi mesmo real ou só delírio meu

Eu lembro daquilo que a gente sempre sonhava em fazer
de fazer a coisa certa pra um mundo melhor
Uma conversa, um olhar, já bastava pra você
aos 25 de sonho com o Belchior

Toda vez que vejo uma foto antiga
percebo quanto tempo já passou
e como o tempo muda nossa vida
e quando a gente nota acabou.

O pouco do que fizemos talvez sirva
pra plantar essa semente do amor
talvez ela não cure as feridas
mas possa transformar o que restou.


domingo, 13 de maio de 2012

Nem pra serem os últimos

Ao transferir meu título de eleitor, 
percebi a alegria de alguns jovens
em poder exercer
o "direito a cidadania".
Infelizmente,
muitos desses jovens
não tem noção nenhuma
da importância que aquele papelzinho tem.
Talvez, ao longo da vida,
muitos deles percebam
(assim como eu o fiz)
que é a partir dali
que eles começaram a perder o seu valor.
Pois o poeta acredita
que quando as palavras
não são sentidas,
não podem ser verdadeiras.
E se as promessas
não são sinceras,
tampouco são
as intenções.

 Nem pr'aqueles primeiros votos serem os últimos.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Deseducassão

Voudizerdeumavezdeumsófôlegosempararsemvírgulaspontosnemexclamações
umacoisaqueacreditoetenhocertezaquenãovaimudarnuncaéessacoisadogoverno
sustentaropovocommigalhadebolsafamíliaacomodatodomundoquemanda
seusfilhospraescolaedaquieenchemosacodagentedizendoqueprofessor
temqueserpaiporranenhumaeutentoeducarmastômedeseducandocomessahistória.
 Pronto, falei.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Maquiagem

Vejo as mulheres
e as cidades
para ficarem bonitas
usam maquiagem.

Em ambas
disfarçam
as imperfeições
os buracos
as manchas
os defeitos
que elas possuem.

Fazem festa
para todos
e enganam
quem não as conhece.


Mas a intenção das mulheres é boa.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Digitado aleatoriamente antes do almoço

Ainda estou no trabalho, aguardando a impressora terminar de imprimir algumas atividades para hoje.

Tenho a primeira aula.

O reco-reco da impressora já me encheu o saco. Aquela matricial, Epson. Um porre.

E ainda tenho que ficar de olho para que o papel não saia do lugar.

Investimento em educação é isso.

Epa, peraí...

...

Merda.

Saiu.

Mas já consertei.

As próximas vão sair certas.

Começo a digitar essas palavras meio sem saber ao certo o que quero dizer.

Hoje tivemos uma palestra. A moça falou sobre a dengue, modos de contágio.

Prevenção.

Em seguida, muitos alunos foram às ruas usando luvas para recolher lixo e colocá-lo nos cestos, visando diminuir a sujeira e os focos para o mosquito.

Ao voltarem, compraram "geladinhos".

Não todos os alunos, mas a maioria deles.

Ultimamente, apesar da chuva, o tempo tem estado muito quente.

Refrescaram-se tomando seus picolés.

E jogaram os saquinhos no chão.

Não todos os alunos, mas a maioria deles.

Poderiam me dizer que muitos fazem isso.

Eu sei. São apenas crianças.

Inocentes, inconsequentes, desatentas.

Mas copiam muito do que os adultos fazem.

Infelizmente.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Chicos

Foram-se os Chicos.
Nordestinos.
Brasileiros.
De origem humilde.
Um nos fez rir, o outro dançar.
A arte nordestina mais uma vez se fez perpetuar por toda a eternidade.
Como a gente diz lá no Nordeste, boa viagem.
Aqui embaixo a gente difunde o que vocês deixaram.

terça-feira, 13 de março de 2012

Quem são os vilões

A educação pública está uma merda.
Escuto dizerem por aí.
Todos sabem disso.
A classe docente é responsável por todas as outras profissões.
Porque não são respeitados, fazem greves, paralisações...
Querem chamar a atenção, pobrezinhos.
Baixos salários, condições de trabalho, PIB...
Mas mesmo assim, ainda são vilões.
Quando se reúnem em praça pública, com faixas, bandeiras, gritos de guerra, são vândalos.
Até atacados pela polícia eles são.
Funcionários públicos que só engordam, não ensinam aos nossos filhos os conhecimentos necessários para passar num vestibular.
Batem o ponto e fazem hora nas salas de aula brasileira.
Não gostam de estudar.
E se gostam, querem passar o tempo todo lendo, sem trabalhar.
São cobrados a usar novas metodologias, fazer milagres com as condições que possuem.
E formar cidadãos críticos e comprometidos com a sociedade.
Segundo números, a coisa não está tão mal.
Milhares passam de ano, mesmo aprendendo pouco ou praticamente nada mesmo.

Senhoras e senhores, não somos os vilões.
Não nos condene por exigir melhores escolas. Estamos exigindo também um Brasil melhor.
Os vilões estão no poder, destruindo a cada dia que passa o sonho e a fé dos honestos.
E a nossa também, aos poucos.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Trip of a flying mind

Não sou do tipo que manda flores...
Talvez meio egoísta.
Tenho uns pensamentos loucos, que vez ou outra saem da minha cabeça e desembestam a falar e a falar e a falar...
Capoeira, casa, ciúme, criança, contas, cabeça, cacete!
Minha net tá lenta demais.
Paciência é virtude, mas só ela enche o saco.
Converso com os amigos distantes e esqueço dos presentes que tenho que comprar pr'aqueles que hora ou outra assisto viverem à minha frente.
Sei lá.
Tem hora que penso que sou meio doido.
Talvez seja.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A vida é assim mesmo

Antes que digam qualquer coisa, ainda acredito na fé de cada um.

Depois desses anos de pelejas (não sou tão velho assim - agora tenho 27), a ficha caiu.

Insistimos para que todos os seres humanos, principalmente nós, professores,
sejam eles nossos filhos ou alunos,
para que acreditem no seu próprio potencial e na importância da educação...

Aí, paro pra pensar em certas coisas que muitas vezes a intelectualidade não percebe (ou não quer perceber)...

Quantos e quantos vivem suas vidas sossegados, formam suas famílias e se sustentam com outras profissões?

Quantos não aprendem outros idiomas e mesmo assim escutam hip hop, dançam melody e namoram ao som de "love songs", mesmo sem ter a mínima ideia do que elas dizem - e ainda acham que se soubessem tudo perderia seu encanto?

Se todos fossem doutores, médicos, advogados e engenheiros, quem iria plantar e colher nossas frutas e verduras, limpar as ruas e consertar os nossos carros, motos e bicicletas?

A utopia é que criemos (sabe-se lá quando) uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos cumpram os seus deveres e possam ter os seus direitos garantidos. Caros amigos, isso nunca vai acontecer.

Quebraria a ordem natural das coisas.

A humanidade é incapaz de realizar tal façanha.

Mas ainda assim, acredito que posso mudar a cabeça de muitos. Se não mudar, pelo menos influenciar.

Se não influenciar, pelo menos plantar uma semente diferente no coração de cada um e torcer para que ela vingue.

E se não vingar, não tem problema. Deixa quieto.

A vida é assim mesmo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sempre de olho

Rapaz, conversando com um grande amigo meu, cheguei a uma conclusão.
Não existe essa coisa ruim toda no mundo.
A cidade é pequena, ninguém vai pular o muro da tua casa pra roubar nada não.
Pode dormir de porta aberta, que o pessoal passa e nem olha.
Tu acha que tem gente querendo acabar com teu casamento?
Inventando intriga? Fazendo fuxico?
Tá ficando doido?
Isso é coisa da tua cabeça, meu irmão!
Tu acha que esses caras aí que se candidatam a vereador, prefeito,
ou até mesmo muitos pastores (gente boa),
seriam capazes de enrolar alguém pra por causa de dinheiro?
Eu acho difícil.
E essa história de que tem gente trocando voto por cigarro,
por cesta básica,
milheiro de telha,
caçamba de barro,
tu pensa que é verdade?
Menino! É nada!
Imagina se vai acontecer alguma coisa se tu vier de bicicleta numa pista escura à noite?
Quem tem carro tem juízo.
Disco voador? Fantasma? Aparição na madrugada?
Por aqui tá tudo sossegado.

Mas como todo bom e velho sertanejo,
daqueles que se espanta até com gato pulando no telhado,
vou ficar de olho.
Só por segurança.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Só pra dizer que trabalha!




Ê, Brasil...

50min cada aula.
40h semanais.
600 alunos.
16 turmas.
Dezenas de responsabilidades.
Centenas de atividades para corrigir.
Milhares de broncas para suportar.
Milhões de reais desviados para sustentar o ego e a permanência de bandidos no poder.
Milhões de brasileiros para conscientizar.
E ainda tenho que escutar que professor não trabalha.

Quando é que isso vai acabar?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

SENSAÇÕES AO VOLANTE

Ele ganhou seu mais novo brinquedinho de classe média.
E agora?
Será que ele vai colocar em prática todo aquele discurso de pedestre,
ou vai começar a experimentar as novas sensações?
Vai continuar pregando a atenção, a prudência, a sobriedade,
ou vai se deixar levar pela emoção da velocidade?
A música provoca. Vai ficar aí parado?
Está tranquilo. Nunca sentiu tanta confiança em si mesmo como agora.
Tudo tornou-se mais fácil. Mais rápido. mais leve.
Isso é bobagem. É sempre possível manter a consciência.
É sempre possível saber a hora certa de parar, a hora de certa de seguir.
As sensações sempre estão a nos seguir.
O importante é manter-se calmo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O NOVO ORKUT?




Lembro que, no início dos anos 2000, quando a Internet começou a ficar mais popular entre as pessoas, a febre das redes sociais eram os mIRQs, os grupos de bate-papo, em que as pessoas tinham a oportunidade de se conhecer e conversar online. Já haviam os emails também, porém mais utilizados de forma comercial. Em seguida, surgiram o Messenger, o Orkut, Twitter, Badoo e inúmeras outras. Algumas duraram pouco tempo, outras funcionam até hoje.

Ultimamente, a rede social em voga é o Facebook. Quem ainda não tem é antigo, ultrapassado e todos os sinônimos de passado. A velocidade com que se trocam informações é maior, a interface é mais agradável aos olhos, o número de spams é praticamente inexistente (uma das causas principais da decadência do Orkut) e não se te a necessidade de limpar a caixa de mensagens, pois a própria rede faz isso. Aliás, sequer existe uma.

Acredito que um dos principais motivos da queda de popularidade do Orkut foi uma só: futilidade em excesso. Vivemos na era da cultura inútil: grande parte da informação é descartável. Nas redes sociais então, a maioria das pessoas envia piadas sem graça, imagens sem sentido, correntes idiotas e desinformações que, sinceramente, não acrescentam em nada para a vida de ninguém. Já percebo alguns posts no mesmo nível também no Face. Por incrível que pareça, muitos dos que chamam o Orkut de velho e cafona, são os mesmos que propagam essas DESinformações (tá, confesso que faço isso algumas vezes). Está certo que usemos a rede para se distrair, para se comunicar com os amigos, mas pelo amor de Deus, já basta o que a televisão faz! Vamos divulgar cultura também!

Considerando a efemeridade das redes, o onda do Facebook vai passar. Uma outra com certeza vai surgir com melhores atrativos e conseguirá desbancar a criação de Mark Zuckenberg. Então que aproveitemos essa interatividade de maneira inteligente também. Esqueçam as correntes e piadas sem graça. Intelectualidade em excesso gera arrogância, mas futilidade em excesso gera ignorância.

Pra terminar no melhor estilo, CURTE E COMPARTILHA!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

INSÔNIA

Desde cedo uma enxaqueca me atormenta.
Passei os últimos três dias com febre, tossindo muito e tremendo.
A danada da gripe me pegou - e olha que isso é raro acontecer.
Procuro alguma coisa na TV para me distrair.
Assisto um filme até tarde. A cabeça não para de doer.
Perco a paciência. Deito para dormir. Talvez com uma boa noite de sono ela passe.
Que nada.
Remexo-me de um lado para o outro.
É a insõnia novamente que veio me fazer companhia.
Tento relaxar, mas a cabeça fervilha de pensamentos.
A dor continua a incomodar.
Penso nas vezes que coloquei o trabalho no lugar da família.
Ou até outra coisa qualquer.
Minha esposa chamando para deitar e simplesmente respondi: "Já vou." Mas não fui.
Meu filho querendo minha atenção, mas eu estava ocupado demais dando atenção aos outros.
Os poucos momentos que passamos juntos foram poucos, mas acredito que pra ele tenha significado muita coisa.
E eu que me queixei a vida inteira de não ter tido um pai...
Alguns dizem que são sacrifícios necessários para o sustento da família.
Surgem dúvidas em minha mente quanto a isso e o sono não vem.
A enxaqueca torna-se mais forte.
Enquanto a água ferve, ouço apenas o cri-cri dos grilos e um som que lagartixa faz que eu não sei como se chama.
Preparo meu leite e, enquanto o bebo, estou escrevendo essas palavras.
Simplesmente porque deu vontade.
A dor de cabeça diminui.
Agora, acho que posso dormir.
Era só a barriga vazia. Eu espero.