terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pensamentos soltos

Ligo a TV para ver o que acontece no país e no mundo.
Discussões sobre o salário mínimo, políticos internacionais entram em escândalos (lá fora também!)...
As pessoas ainda perdem tempo e dinheiro com os reality shows...
Levanto-me e olho pela janela. A chuva cai forte, molhando a rua, lavando os telhados e calçadas...
Em algum lugar por aí alguém observa a chuva com o coração apertado, esperando por uma boa notícia, um telefonema, uma carta...
Ninguém escreve mais cartas. A maioria manda e-mails (eu também).
Tento preservar as minhas amizades através da tela gelada do meu computador.
Muitos estão distantes, correndo atrás de seus sonhos, assim como eu dos meus.
Queria dar um abraço na minha mãe.
A chuva continua caindo lá fora.
O barulho da água caindo me faz pensar porque a chuva não leva as notícias ruins embora com ela...
Sento-me em frente ao computador e penso no que poderia escrever, em que palavras poderia dizer amanhã a alguém que fizessem com que ela pensasse diferente.
Já usei várias e não tenho a certeza se elas serviram.
Estou começando a não me cobrar mais por isso.
A chuva diminui sua intensidade, mas não a intensidade dos meus pensamentos soltos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O BÊBADO, A CHORONA E O PADRE (Crônicas de uma eleição)

ESSA É EM HOMENAGEM AOS 20 ANOS DE ESPERANTINA - TO.

O bêbado contava vantagem.
O padre contava as estórias.
A chorona chorava.

O bêbado não se segurava em pé.
O padre não segurava a fé.
A chorona chorava.

O bêbado ficava valente.
O padre fazia missa pra gente.
A chorona chorava.

O bêbado se metia a cantar.
O padre falava sem parar.
A chorona chorava.

O bêbado tinha a voz enrolada.
O padre se enrolava na palavra.
A chorona chorava.

O povo não acreditava no bêbado.
O povo não acreditava em Deus.
O povo sentiu dó.
E abraçou a chorona.
Mas o choro era de mentira.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ictu oculi

Hoje, na escola onde trabalho, tivemos uma celebração religiosa por parte de um grupo evangélico que faz missões pelo país.

Fizeram uma oração, cantaram algumas canções, essas coisas de praxe, na tentativa de fazer com que alguém no meio da multidão acorde para a vida e acredite em si mesmo.

Enquanto ouvia as palavras do missionário, uma menina aproximou-se de mim.
De aparência simples, o corpo franzino parou na minha frente e sorriu dizendo "Oi, professor".

Olhei para ela e vi a imagem do descaso de quem toma as rédeas desse país. Visualizei a vida sofrida daquele pequenino ser, ainda sem muita noção das coisas da vida.

Olhei em seus olhos e percebi a carência de afeto, a simplicidade de quem procura alguém que lhe dê um pouco de atenção e que principalmente, ainda é verdadeiro naquilo que sente.

Hoje agradeço a Deus pela vida que tenho.

Rezo para que essa menina tenha entendido as palavras do pastor.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sabe a última do português?



No último fim-de-semana, nossos irmãos lusófonos foram às urnas em eleições presidenciais. Os principais candidatos são o atual presidente, Aníbal Cavaco e o poeta Manuel Alegre. Apesar do nome, as eleições lá não foram tão felizes.

A exemplo do Brasil no pleito do ano passado, a abstenção bateu recorde: 53,3% do eleitorado não compareceu às urnas. A porcentagem excessiva deu-se ao fato de problemas estruturais, como transporte em algumas localidades, conexão com a Internet (lá em Portugal a votação é online), até por queixa da falta de necrotérios(!). Vai entender os gajos... Enfim, muita gente não votou principalmente como forma de protesto.

Em terras tupininquins, como a tecnologia eleitoral (e eleitoreira) facilita a nossa vida, ocupando apenas míseros 90 segundos do nosso dia, não temos do que reclamar (?!). Mas já em relação a postura de muitos dos nossos "homens do povo", aí são outros quinhentos. As maquininhas podiam dar problema de vez em quando, só pra ver se o povo prestava um pouco mais de atenção...

Já que isso fatalmente não vai acontecer, a gente vai escolhendo o Tiririca, porque pior do que está não fica.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

LEMBRANÇA DE CASA

Do peitoril da janela da casa da minha mãe observo o bairro em que nasci e cresci.
Ficou tudo tão diferente...
Aquele amontoado de casas que agora crescem de encontro ao céu,
Aquelas pessoas que hoje caminham em direção à velhice (e eu vou junto),
Com filhos, netos, até bisnetos...
Vejo alguns jovens sentados na calçada conversando coisas do universo deles –
Como eu costumava fazer quando chegava da escola –
A nova vizinhança,
Gente que quando saí daqui não tinha nem tamanho de gente ainda,
Outros pequenos dos meus amigos de infância...
Aquelas senhoras que eu via conversando sobre a vida alheia (continuam com as mesmas manias),
Ou os senhores que jogavam dominó até tarde da noite...
Tem jeito não.
Ninguém para o tempo.
Fico pensando em como muitos tocam suas vidas, com suas esposas e filhos
(algumas vezes vários),
Trabalhando, lutando pelo pão,
Alguns deles vivendo para as aparências – isso é cultural.
Enfim, estão por aí. Vivos, felizes quando podem.
Construindo seus destinos.


A vida segue.
Sigamos com ela.