Hoje, na escola onde trabalho, tivemos uma celebração religiosa por parte de um grupo evangélico que faz missões pelo país.
Fizeram uma oração, cantaram algumas canções, essas coisas de praxe, na tentativa de fazer com que alguém no meio da multidão acorde para a vida e acredite em si mesmo.
Enquanto ouvia as palavras do missionário, uma menina aproximou-se de mim.
De aparência simples, o corpo franzino parou na minha frente e sorriu dizendo "Oi, professor".
Olhei para ela e vi a imagem do descaso de quem toma as rédeas desse país. Visualizei a vida sofrida daquele pequenino ser, ainda sem muita noção das coisas da vida.
Olhei em seus olhos e percebi a carência de afeto, a simplicidade de quem procura alguém que lhe dê um pouco de atenção e que principalmente, ainda é verdadeiro naquilo que sente.
Hoje agradeço a Deus pela vida que tenho.
Rezo para que essa menina tenha entendido as palavras do pastor.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Olhares

A menina estava parada
no umbral da porta de casa.
Olhava as pessoas passarem
pela rua e pela calçada.
Vivia a imaginar
o que aquelas pessoas pensavam
quais seus sonhos, desejos, vontades
que tinham enquanto andavam.
Nos seus olhos a curiosidade
natural de toda criança
ela apenas olhava, olhava
de olhar seus olhos não cansam.
Inocente, no seu mundo pueril
viajava castelos, dragões
doces, balas, nuvens de algodão
sem tristezas nem preocupações.
Mas aos poucos ela se dava conta
de onde estava, o que era e vivia
cercada pela humildade de palha
via todos, mas ninguém a via.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Quebra-cabeça

Com 1 ano, sempre tem uma coisa nova.
"Saiu mais um dentinho!"
"Cadê o cabritinho do papai?"
"Ele falou mamã hoje!"
Aos 2 anos, sempre tem uma coisa nova (ou velha) quebrada.
"Esse menino não deixa nada quieto!"
"Menino! Cuidado com a tomada!"
"Essa menina é fogo! Quebrou mais um copo!"
Aos 7, um dente quebrado.
"Brigou na escola, não foi? O que é isso, rapaz?"
Aos 12, 13, 14, 15, 16... quebra a cabeça dos pais com tantas preocupações.
"Isso são horas de chegar, rapazinho?"
"Nota baixa de novo na escola? De castigo!"
"Quem você pensa que é pra me desafiar? Não vai e pronto!"
"Quem mandou pegar o meu carro sem me pedir?"
Aos 18, quebra o gelo.
"Meu filhão vai sair com a namorada! Pode pegar o carro. Mas usa camisinha, tá certo?"
"Parabéns, filhão! Passou no vestibular!
Aos 22, quebra-se o vínculo de criança.
"Papai, o senhor vai ser vovô!"
E lá vai ele quebrar a cabeça agora...
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