Tantos anos se passaram
tantos dias já se foram
não faço a mínima ideia de quantos faltam
mas enquanto isso
vou caminhando
aprendendo
repensando
ensinando
chorando
amando
como todo ser humano faz.
Tantos anos se passaram
tantos dias já se foram
não faço a mínima ideia de quantos faltam
mas enquanto isso
vou caminhando
aprendendo
repensando
ensinando
chorando
amando
como todo ser humano faz.
Mais cedo ou mais tarde a vida se ajeita
Aos poucos voltamos à velha situação
O novo normal que nunca chegou
Só mostrou o abismo da nossa nação
Quem sempre foi rico, continuou rico
Já os pobres, coitados, mais pobres estão
As contas que chegam têm data marcada
Se o boleto vence, perdeu cidadão
O povo tem fome e quer trabalhar
Discurso de ficar em casa dá não
São tantos problemas que o povo enfrenta
Que o vírus foi só mais um na multidão
Morreram parentes, amigos de infância
Muitos pais de família se foram então
Trazendo a dor, deixando a saudade
Não tinham histórico de atleta não
Nesse fanatismo canhoto e destro
Perdemos amigos, perdemos irmãos
Mais cedo ou mais tarde as máscaras caem
Voltamos à vida de aglomeração
Covid já não é mais a manchete
no rádio, internet ou televisão
O vírus que chega agora é outro
a cada dois anos invade a nação
O vírus que assola esse povo sofrido
não esqueça, amigo, é o da corrupção.
Mais uma noite quente do mês de agosto
Sento em frente à tela para compor um cordel
Estou cansado, dormi muito pouco noite passada
Poderia estar pensando nas rimas que tenho fazer
para satisfazer alguns egos alheios
mas são ossos do ofício
sempre pagarão menos pelo serviço prestado
mas seguirei nessa lida
enquanto aos poucos
descubro novos jeitos
de satisfazer
o meu próprio ego
Ao invés de estar escrevendo isso
poderia ter feito uma ou duas estrofes
mas não tenho pressa
ao mesmo tempo em que o tempo não espera
eu me decidir
que é hora de começar
tanto eu quanto outros
estão acordados a essa hora
digitando suas frustrações
em um post qualquer
de alguma rede
sem a esperança
de ser notado
Assim seguimos a vida
nos arrastando pelos dias
enquanto não encontramos a oportunidade
de sermos o que queremos ser.
No meio do caminho havia uma pedra.
Aliás, haviam várias pedras, espinhos e algumas bifurcações.
Pedras e espinhos sempre há, independentemente do caminho a se seguir.
O que mais atormenta o ser humano são as bifurcações.
Elas certamente são o grande desafio do caminhar.
À medida em que nos aproximamos delas, aumenta a dúvida sobre para qual lado devemos rumar nossos passos.
Uma pena não haver árvores frondosas em que possamos nos recostar e simplesmente observar o momento em que a estrada se divide.
As pernas se movem automaticamente, inexoravelmente levadas pelo relógio dos dias que seguem, dando passadas uma após outra, sem cessar, simplesmente cumprindo sua função na estrada:
a de seguir em frente.
Ao encontrar as bifurcações, o que muitas vezes tememos não é o seguir, mas o que poderíamos encontrar se decidido fosse seguir pela outra mão do caminho.
De qualquer modo, a natureza cumprirá seu curso e acabaremos por seguir por uma dessas trilhas.
Inicialmente receosos, seguiremos andando, novamente colhendo flores, encontrando pedras e espinhos até a próxima bifurcação.
Que inevitavelmente surgirá, enquanto estivermos caminhando.