sexta-feira, 16 de novembro de 2012

DANADA CONSCIÊNCIA

uma dor dói em minh'alma
dói com tanta violência
é uma dor que não me larga
é a dor da consciência

ela arde no meu peito
me fazendo refletir
sobre o ódio e a sujeira
nesse mundo a existir

às vezes me faz chorar
às vezes me faz sofrer
às vezes me lamentar
à vezes me faz querer

que a vida fosse simples
que todos vivessem em paz
que ninguém tivesse menos
e ninguém quisesse mais

com o tanto de cada um
já fosse o suficiente
acabar com a ganância
que existe nessa gente

cada um no seu lugar
cada qual com o seu tanto
a gente não ia ver 
tanta criança aos prantos

sem na mesa ter comida
sem no pote faltar água
sem maldade, sem inveja
sem rancor, nenhuma mágoa

todo homem ter trabalho
pra viver com honestidade
sustentar sua família
viver com dignidade

eu sei que é impossível
uma coisa dessa assim
mas eu sonho (e como sonho)
que esse dia vai vir

e a danada consciência
é que maltrata o meu peito
me mostrando que as pessoas
ainda tem os seus defeitos

o medo que me apavora
é de um dia eu perder
a danada consciência
que ainda me faz ver

mas tem hora que eu penso
se não ia ser melhor
eu viver sem consciência
no meu mundinho, eu só?

alheio a tudo de ruim
vivendo só minha vida
me preocupando apenas
em curar minhas feridas

talvez aceitasse ajuda
dos que dizem ajudar
talvez crescesse na vida
achando normal enganar

já tentei mas não consigo
viver assim desse jeito
então acho que a consciência
é pra mim mais um defeito

por isso que eu lhe disse
no começo desses versos
que uma coisa me aflige
mas aqui ainda lhe peço

se existir nesse mundo
alguém assim como eu
que pese a consciência
dentro do juízo seu

que ainda ache errado
o mundo ser como é
me acompanhe nessa luta
pra que eu não perca a fé.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Teimosia num círculo vicioso


Amicus Plato, sed magis amica veritas
Amigo de Platão, porém mais amigo da verdade

Caros colegas, permitam que eu me apresente.
Sou mais um brasileiro, oriundo de gente simples, criado com dificuldade por mãe solteira e que abraçou (até sabe-se lá quando) essa causa utópica e improvável, considerando toda a existência de vida humana na Terra. Sou um professor.

Mais um que tenta, tenta nas escolas brasileiras matar um leão por dia, no final das contas é devorado por ele. 

Aquele que tenta, mesmo que inconscientemente, colocar na cabeça desse povo um pouco do conhecimento que há perambulando por aí, para lembrá-lo de que ele pode contribuir com alguma coisa pra sua vida e a dos outros.

O mesmo professor que não tem mais em conta o sono perdido, mas aos olhos de muitos, é o ''inimigo n°1'' da ignorância ostentada como vantagem pelos sem-noção, por saber da malícia dos que produzem as tendenciosas estórias e Histórias surreais manipuladoras e mantém a impressão de que as coisas vão bem e todos somos felizes.

Mais um que, nos discursos dos coronéis da nação, é a chave-mestra do desenvolvimento, da justiça e da moral, embora a cada dia que passe lhe é condicionado que é prejudicial usar caneta vermelha para chamar a atenção sobre os erros que cada geração comete e as correções necessárias.

E quando humanamente também falha, é apedrejado pelos "justos" por ser exemplo raramente seguido
e plenamente combatidos por eles.

Além disso, ainda é convidado a sorrir para atender interesses que visam simplesmente a manutenção do igualdade aparente entre todas as pessoas.

Como disse um amigo meu, o sistema trabalha em prol de si próprio.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Semana da Pátria - Cantar a quê?

Estamos na Semana da Pátria (tem que ser escrito assim, em maiúsculas).
Os alunos formam filas para entoar o Hino Nacional, uma ode ao nosso país.
De vocabulário difícil, incompreensível aos ouvidos atuais.
A ordem das palavras dificulta o entendimento, mas mesmo assim todos cantamos.
Cantar a quê? Eu me pergunto.
Cantar ao país das ilusões?
Ao país do faz-de-conta, onde a palavra da lei não tem vez ante o poder financeiro?
Como exaltar uma nação que ainda teima em não investir na educação do seu próprio povo, quando sabemos claramente que é isso o que realmente nos fará grandes um dia?
Como um povo heroico pode emitir brados retumbantes de paz no futuro e glória no passado sem nem saber o que isso significa?
Como entender que um filho teu não foge à luta se nem estimulado a lutar ele é, devido aos inúmeros programas sociais que findam num comodismo miserável?
Como dizer que em nossos bosques há mais vida, se a cada dia que passa as matas exuberantes que possuímos são destruídas?
Exaltamos, conscientes da realidade, a incompetência dos que governam e a ignorância dos governados.
Palavras cantadas, apenas palavras.
Ainda assim, cantamos.
Mecanicamente, cantamos e exaltamos o país da novela, do futebol e da corrupção.
Viva o Brasil!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Meu reino por um post (ou vice versa)

Há algum tempo atrás li um texto muito interessante no site Observatório da Imprensa (recomendo - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/) que falava sobre como a estupenda invenção de Mark Zuckenberg revolucionou a vida das pessoas. Atualmente, acredito que existam mais de 1 bilhão de usuários na rede social. Todas elas passam um tempo considerável tempo online (assim como este que vos escreve), seja olhando fotos, conversando com amigos ou simplesmente divulgando seus pensamentos.

No texto, o autor comenta a respeito de como o Facebook exerce nas pessoas um tipo de "senso de importância" (não consegui achar o link). É mais ou menos o seguinte: pela Internet, você pode ter inúmeros "amigos", que em muitos casos, são pessoas que a gente conhece apenas de vista e que muito raramente você teria uma conversa amigável, até pela falta de intimidade entre ambos. É só pensar na quantidade de "amigos" que você tem...
Continuando: qualquer coisa que você postar (não sei se é esse o termo correto - acredito que sim) será repassado para todas aquelas pessoas, que vão ou não "curtir" o que você postou.

Aí é que vem o X da questão: o bendito "ego". Quanto mais pessoas curtirem ou comentarem seus posts, mais o usuário se sente influente no meio deles. Não é via de regra, mas imagino que aconteça com grande parte dos usuários da rede. É como se aquelas pessoas fossem um público. Desse modo, muitas vezes isso gera em seus usuários uma necessidade exagerada de se expor, tanto que muitas pessoas passam o dia inteiro conectados. Em muitas situações, tem gente que escreve qualquer coisa na tentativa de chamar atenção, que dentro da rede talvez seja muito bem cotada (ou pelo menos ache que seja), mas que fora dela não receba a atenção que espera.

Enfim, é desse jeito. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

PERCEPÇÃO INSTANTÂNEA

Meu Deus, a vida muda.
Agora percebo isso.
Todas aquelas brincadeiras de criança,
todo aquelee barulho de alegria,
toda aquela gritaria das brigas (que depois de dois dias é como se nunca tivessse acontecido),
todo aquele medo das histórias de trancoso que a gente contava quando faltava energia,
toda aquela vontade de não ser achado quando brincava de "se esconda",
de não ser pego quando era do "trisca",
de tirar a menina mais bonita quando brincava de cai no poço...

Agora eu vejo, meu Deus, que acabou.
Aquela coisa de quando chegar da escola ir direto pra rua jogar bola, até não sei que hora, dizendo pra mãe "já vou!", mas não parava a brincadeira...
Aquele negócio de juntar os "cabinha" pra fazer campeonato de time de botão, apostando os contos feitos com papel de cigarro...
Aquela coisa de jogar bila na calçada (que nem era calçada) e quem perdesse levava uma cachuleta no braço, hein?

Pois é, caba.
Cabou.
Mas pelo menos eu ainda lembro.
Obrigado por isso, meu Deus.