sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tatuagem




A idéia surge
A vontade cresce
baseada em algo
que você nunca esquece.

Surgem vários desenhos
infinitos formatos
que logo se transformam
em um único retrato.

A agulha toca
a pele intocada
e a imagem aos poucos
vai sendo formada.

O toque acicular
a dor constante
completa o ritual
do mágico instante.

Uma ideologia
ou um amor presente
ficará marcada
no corpo pra sempre.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Barulho











Toca o sinal = barulho.
Professor entra na sala = barulho.
Alunos conversando = barulho.
Professor fazendo a chamada = barulho.
Ele levanta e pede silêncio = mais barulho.
Começa a explicar = barulho.
Atenção, pessoal! = barulho.
Bronca = barulho.
Termina a aula = barulho.
Fila da merenda = barulho.
Recreio = mais barulho ainda.
Toca o sinal pra ir embora = barulho.
Professor cansado reclama = barulho.
Do lado de fora, continua o grito de desespero nos hospitais,
o salário mínimo,
a má distribuição de renda,
políticos roubando,
e ninguém escuta nada...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

TIRIRICA PRESIDENTE!



As eleições 2010 ainda não acabaram. Vai haver segundo turno entre Dilma e Serra e rola o maior bafafá na imprensa sobre qual será o posicionamento de Marina (essa sim uma vencedora - quase 20% dos votos válidos). Em alguns estados, também vai haver segundo turno para governador. Só em novembro vai haver definição.

Enquanto isso, nesse período pós 1° turno, a discussão gira em torno de outro caso: a eleição do palhaço (é a profissão do cara) Tiririca, com impressionantes 1,3 milhões de votos, tornou-se o deputado federal mais votado do ano e o segundo da história - o primeiro foi o exótico Enéas Carneiro, em 2002, com 1,57 milhão de votos. O Ministério Público move uma ação contra ele na Justiça Eleitoral, com a alegação que ele seria analfabeto e, portanto, incapaz de exercer o cargo conquistado. Se isso for verdade, é até aceitável que a votação seja anulada e ele perca o direito ao cargo. Mas por outro lado, qual o problema?

Entra ano e sai ano e o povo continua elegendo ilustríssimos doutores para representar-nos e decidir os rumos do país, mas a coisa não muda em nada. Os escândalos continuam os mesmos, ninguém é punido. Só pra constar, lembram do Renan Calheiros, que se queimou em 2007? Pois é, foi eleito senador de novo. E o que falar do Sarney, então? Sem comentários. Collor é senador e tentou o governo de Alagoas. Quase entrou. Paulo Maluf (PPB-SP) foi cassado, mas ainda teve gente que votou nele. Diria cômico para não dizer trágico.

Por isso apoio o Tiririca. Tiririca deputado federal, mais bem-votado. É um aperto no sapato dos doutores da nação. "Política não é palhaçada", diriam os hipócritas. Há tempos que vem sendo. Vejo inúmeras campanhas nos meios de comunicação apelando ao voto consciente. Esse 1,3 milhão foram os votos mais conscientes de todo o país. A consciência revoltada, farta de tanta impunidade, desrespeito e palhaçada. Essa é a palavra. Palhaçada. E vamos nos perguntar: quem é o verdadeiro palhaço?

Cerca de 34 milhões de eleitores no Brasil não validaram seu voto. Foram brancos, nulos e abstenções. Isso é mais de 1/4 da população eleitoral nacional. Sinal dos tempos. Um povo cansado de tanta baixaria aos poucos acorda. E protesta. É obrigado a ir, mas não a escolher alguém. Dirão que a omissão também é uma escolha. Que seja. Mas enquanto continuar assim, ou não vota ou escolhe qualquer um que aparecer. E se já for conhecido do povão, melhor ainda.

Um pobre nordestino incomodou muita gente ao conseguir chegar à presidência. Agora é a vez de um palhaço ser eleito. Pelo menos esse faz a gente rir. Tiririca presidente!

domingo, 3 de outubro de 2010

FILA












Sabe qual a diferença entre a fila da Mega-Sena e a da seção eleitoral?

R: É que na fila da Mega a gente entra pra arriscar a sorte e na fila da seção a gente entra pra arriscar o azar.

sábado, 2 de outubro de 2010

E no futuro?


Falta pouco. Daqui a algumas horas, milhões de brasileiros de todas as idades e classes socias irão escolher os nossos "representantes" políticos dos próximos 4 anos. Aqueles que desviam do erário público ou os que dizem ter boas intenções, os auto-intitulados "amigos do povo" serão eleitos amanhã. Numa eleição rápida (apenas um minuto e meio para cada eleitor, em média), na qual o resultado ainda sai no mesmo dia, escolheremos os rumos que o Brasil dará nesses anos vindouros. Não importa mas a qualidade desses votos, e sim a quantidade. No entanto, eu pergunto: e no futuro?

Esses dias estava em uma sala do 8° ano revisando conteúdos para uma avaliação que irei aplicar nos próximos dias. De repente, dois alunos começaram a discutir sobre os candidatos a governador do estado. Que fulano de tal é assim, é o melhor, porque o outro tem que voltar, mas porque aquele tem que seguir como está, essas coisas. O assunto rendeu bastante, toda a turma resolveu dar a sua opinião, cada um querendo defender o "seu" candidato. Na tentativa de esclarecer um pouco mais as coisas pedi a palavra na conversa, dando a minha opinião. Uma aula interessante (um pouco barulhenta, é verdade - mas onde política não é assim?), principalmente se considerarmos a idade dos meninos e meninas.

Apesar de tudo isso, uma coisa me chamou a atenção: muitos repetem as ideias dos pais ou são influenciados pelas campanhas mirabolantes apresentadas por esses candidatos. Segundo Vigostky, o primeiro lugar de convivência social que a criança tem é o seu lar, de onde ele tira suas primeiras conclusões sobre como funciona o mundo. Daí a importância da família e da escola em todos os aspectos da formação dos seus pupilos, principalmente a formação moral e política. Por mais que todos os adolescentes achem chatos (como nós em nosso tempo de escola achávamos - e muitos adultos também achem), esse tema tem que ser discutido em sala de aula, pois afinal, eles sofrerão as consequências dessas escolhas que nós, praticantes do "exercício da cidadania" iremos fazer nesse domingo.

Trocando em miúdos: muitos daqui a alguns poucos anos também participarão desse processo. Se serão conscientes do que essas escolhas podem causar, só Deus sabe. Mas podemos insistir neles para que, quem sabe, a resposta seja sim.

De olho no futuro, rapaziada!