terça-feira, 24 de maio de 2011

Café

Preto forte
só presta novo
e bem quente.

De manhãzinha
depois do almoço
sempre com a gente.

Chega a noite
e pra aquecer
novamente.

Nas madrugadas
tão solitárias
me compreende.

Velho amigo
de tantas horas
tua semente

é o que desperta
e me ajuda
nesse batente.

Vai um cafezinho aí?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Peleja

Ficar acordado
de madrugada
pesquisando,
perguntando,
filosofando,
viajando entre linhas e ideias,
sonhos e fatos,
planos e mais planos
por mim e pelos outros.

Certas vezes
exagerando
abandonando
por alguns momentos
filho e mulher
tudo em busca
de uma única coisa:
transformação.

Ainda pelejo em acreditar que vale a pena.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

As "Banda"

Estava à toa na vida
a galerinha chamou
pra ir pra o forró dançar
porque as "banda" chegou

Eu tava com muita fome
porque o feijão acabou
mas vou pra o forró dançar
porque as "banda" chegou

O deputado no dia dos comícios falou
e o povo se iludiu com aquela conversa e votou
Depois de eleito, nunca mais deu as caras
e a cidade ficou na miséria

O desemprego na pequena cidade só aumentou
a menininha de 14 anos "embuchou"
a violência e a cachaça também
mas vou pro forró dançar
porque as "banda" chegou

Cabou-se a festa, o povo pra suas casas voltou
e a mesma coisa, fome, choro e briga encontrou
Só teve três dias de folia
voltou a desgraça, cabou-se a alegria

Mais quatro anos de sofrimento e de dor
de abandono por quem diz que nos governou
tô nem aí, voto de novo no homem
porque as banda na praça
foi ele quem colocou...

Uma paródia da música A banda, de Chico Buarque.
O recado foi dado.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Prisões

Máquinas, grades, fios elétricos
prendem e "protegem"
dos perigos que rondam
as pessoas diariamente.
Levantam muros,
constroem prisões,
fabricam armas,
na intenção
de oferecer segurança.
Sem perceber, tornamo-nos prisioneiros
e aumentamos também o medo de viver.

Só a educação liberta.

terça-feira, 12 de abril de 2011

CAUSA E EFEITO - Opinião



Na última quinta-feira, todos acompanharam estarrecidos pelos principais meios de comunicação do país a tragédia acontecida no Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro do Realengo, zona norte da capital. O jovem Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou armado em uma escola municipal e atirou em vários alunos, matando 13 pessoas. O assassino acabou se matando após ser baleado por policiais.

As investigações continuam em busca de desvendar qual ou quais teriam sido os motivos do rapaz a realizar tal ato. Pessoas que o conheciam afirmam que ele teria problemas mentais, há suspeitas de que ele tinha ligações com grupos fundamentalistas islâmicos (o que no meu ver é improvável) e alguns ex-colegas dele comentaram sobre a vivência escolar do garoto: bastante retraído, o pequeno Wellington recebia apelidos e sofreu algumas humilhações, o que hoje nós chamamos de bullying.

A palavra inglesa bullying representa todas as atitudes agressivas verbais ou físicas, intencionais ou repetitivas, com a intenção de intimidar outra pessoa que não possui capacidade para se defender. Apelidos, brincadeiras de mau gosto e humilhações são alguns exemplos dessas atitudes. De modo geral, o agredido torna-se tímido e pouco sociável, podendo (isso não quer dizer que é regra) tornar-se um adulto agressivo.

Nas escolas brasileiras, sabemos que são comuns esses tipos de brincadeiras, tornando-se, portanto, difícil a identificação de eventuais casos de bullying. Salas superlotadas, muitas vezes condições precárias de trabalho e pouco conhecimento sobre o assunto dificultam intervenções apropriadas. O caso de Wellington pode não ter sido exclusivamente consequência disso, mas é necessário considerar o fato. Um trabalho de conscientização em âmbito escolar, medidas preventivas, além de, é claro, maior discussão do assunto pela sociedade são imprescindíveis para que se possa de fato esclarecer à nossa juventude (muitas vezes desorientada e inconsequente) que brincadeira tem limite.