Caros amigos, chega um momento em que o ser humano se pergunta qual o verdadeiro motivo de habitar esta Terra.
Começa a analisar seus feitos e defeitos, como quem procurasse justificar a condição em que se encontra naquele momento de introspecção.
Pesa tudo na balança da justiça divina (alguns) ou na balança humana (outros), esperando que haja algum valor positivo dentre tudo o que já viveu.
Frequentemente me pego a observar o comportamento humano, baseando-me na simplória realidade que me cerca.
Pessoas humildes, batalhadoras (nem todas), mas acima de tudo esperançosas de tempos melhores, presas às sua vidas presentes, imediatas, efêmeras.
Criando seus filhos (ou apenas os vendo crescer) sem se dar noção da constante passagem do tempo, que ao mesmo ensina a viver e a aceitar as provações que a vida nos oferece.
Em um mundo que supostamente deveria servir a todos.
Em uma sociedade onde supostamente todos servimos para alguma coisa.
Em uma realidade injusta, mas ao mesmo tempo suficiente (pelo menos para a maioria).
Cercado de tantas contradições, desenganos, mas ao mesmo tempo da mais singela felicidade, muitas vezes estampada num sorriso de criança.
Sentindo o sol nascer e morrer a cada dia, levando um pouco da minha existência junto com ele.
Maravilhado com a perfeita criatura humana e como ela se desenvolve nos ventres maternos, com toda sua delicadeza.
E imaginando que um dia ela se tornará tão falha quanto todos da sua espécie.
Duvidando se vale a pena ter algo pra acreditar, nem que seja para que no apagar das luzes eu possa ter vontade de continuar o que venho fazendo até hoje: simplesmente vivendo.
Talvez tudo isso seja besteira. É, talvez.
Mas de vez em quando eu vou me perguntar.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
domingo, 30 de junho de 2013
Depois das ruas, as leis
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| Da Web |
Diante da repercussão dos protestos, a presidenta Dilma e o Congresso agiram às pressas : a PEC 37, que limitava o poder do Ministério Público em investigações, foi derrubada; corrupção agora é considerada crime hediondo; e a presidenta propôs um plebiscito para a reforma política. Mas eis que surge um questionamento: isso será suficiente?
Muitos dos que participaram do protesto sequer tem ideia do que está sendo reclamado. Grande parte tem consciência, mas por serem muitas as demandas, pode ocorrer uma fragilização dos movimentos e consequentemente, a perda do foco, tornando as manifestações propícias a críticas voltadas a atos isolados de vandalismo (o que, diga-se de passagem, não foi registrado em manifestações tocantinenses). A insatisfação com os rumos da política nacional não deve ser traduzida em destruição do patrimônio público. É nesse quadro que a educação faz toda a diferença.
Mais do que investimentos, faz-se necessária o comprometimento da sociedade na fiscalização das ações dos governantes. Vejo como de fundamental importância a participação popular nas discussões e criação de leis voltadas para o bem comum, em espaços como conferências e seminários sobre habitação, educação, cultura, saúde e assistência social, entre outros temas. Já fomos às ruas: agora, vamos às leis.
Fiquemos de olho, companheiros.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
ANTES TARDE DO QUE NUNCA
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| Da web |
O que eu duvidava
que acontecesse
era o que eu mais sonhava
o desejo era esse:
Uma revolta consciente
desejo de mudança
mantém acesa a chama
da esperança.
Braços dados nas ruas
gritos, uma só voz
contra todo um sistema
mentiroso e atroz.
Hipócritas de gravata
ainda seguem no poder
mas aos poucos eles sabem
que iremos vencer.
Antes tarde do que nunca.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
A ETERNA NECESSIDADE DE PERGUNTAR*
Já há algum tempo tento ingressar em um curso de
pós-graduação. Como professor da educação básica, tenho a noção de que as
coisas não andam muito bem, exigindo cada vez mais do professor uma postura
mais provocadora do pensamento crítico. Sempre acreditei que seja possível
transformar a cultura que nos cerca, que visa prioritariamente formar, como já
disse Gerardo Mourão, homens que sabem muito sobre muito pouco. Nesses anos de
sala de aula, presenciei situações deveras inusitadas que me causaram um
impacto positivo e reafirmaram o mesmo ideal adquirido nos corredores da
faculdade e nos acalorados debates durante o curso de graduação: temos sim, a
capacidade de sermos melhores.
Desde os primórdios da humanidade, tentamos – e de certa
forma, conseguimos – evoluir e nos apresentar melhores a cada nova geração. Os
gregos certamente foram a civilização que mais contribuiu para o mundo
ocidental com o que hoje chamamos de progresso. Seu legado nos deixou uma
herança de valor inestimável: muitas das concepções que temos sobre o mundo se
devem, em grande parte, à filosofia de Sócrates e Aristóteles, aos cálculos
matemáticos de Euclides e Pitágoras, a noção de República de Platão, às grandes
inspirações poéticas de Homero, entre outras.
Através do questionamento dos filósofos de épocas
posteriores, de escolas diferentes, influenciados ou não pela fé no
sobrenatural é que chegamos ao ponto onde estamos. Nietzsche, pelas palavras do
seu profeta Zaratustra, afirma a necessidade do “refinamento cultural” do
homem, como meio de superar as suas próprias limitações (que na visão dele eram
causadas principalmente pela doutrina cristã), desprendendo-se de dogmas e
decidir de maneira eficaz o seu próprio destino. A possibilidade de se alcançar
esse refinamento é infinitamente grande, dada a capacidade humana de criar e
recriar a História. Somente o homem, dentre todos os seres vivos que habitam a
Terra é que possui a habilidade de refletir sobre suas ações e propor a si
próprio alternativas para a construção de uma nova estrutura de relações
sociais. Darwin, ao apresentar ao mundo sua Evolução
das Espécies, foi erroneamente interpretado, mas após séculos de pensamento
vinculado ao Cristianismo – e unicamente a ele, pelo menos no mundo ocidental –
tocou no ponto chave: o ser humano supera as intempéries do tempo e consegue se
readaptar a novos tempos.
O saber gera o poder, que em muitas ocasiões distorceu a
noção que temos entre o que é certo e o que é errado. Na era pós-moderna, no
século passado, tal dicotomia uma das maiores barbáries da humanidade: a II
Guerra deixou milhões de mortos, prejuízos incalculáveis e assim como em outras
épocas, a dúvida sobre os destinos da raça humana. Mais uma vez, mostramos
nossa natureza intrínseca de superação: dos escombros de Hiroshima e Nagasaki,
renasceram duas grandes potências mundiais. Nossa mente criativa produziu
versos de esperança na voz do mais famoso dos rapazes de Liverpool, nos
induzindo a imaginar um mundo diferente. Outras tragédias se sucederam após
1945, mas ainda continuamos de pé.
Chegamos ao terceiro milênio na velocidade dos megabytes.
Rapidez é a palavra de ordem. Objetividade tornou-se obrigação. O conhecimento,
outrora privilégio das elites, agora é acessível a toda a humanidade. Contudo,
as facilidades que a tecnologia nos proporciona retomou o questionamento: e
partir de agora? Para onde devemos olhar de modo que continuemos nos superando
a cada dia que passa? Em um mundo cujos valores se tornam confusos nesse
emaranhado de informações desencontradas, como podemos nos aprimorar para
evitar erros de outros tempos? O grande desafio agora é saber que tipo de ser
humano pretendemos formar para as próximas gerações e que legado deixaremos a
elas. É chegada a hora de repensar uma
“nova velha educação”, aos moldes da Akademeia
grega, que instigue no ser humano novos direcionamentos, para que mais uma vez,
possamos provar a nós mesmos que temos a capacidade e a obrigação de sermos
melhores.
*Ensaio produzido para o curso de pós-graduação latu sensu em Ensino de Língua Inglesa da UFT - Universidade Federal do Tocantins - Campus Porto Nacional.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Há tempos
Estou cansando disso.
Do "deixa pra depois".
Do "amanhã te entrego".
Do "daqui a pouco".
Do "mais tarde eu faço".
Do "estamos resolvendo os problemas".
Do "a situação será resolvida em tempo hábil".
E essa hora nunca chega.
Eu também faço isso. Não serei hipócrita.
Mas há 500 anos deixamos pra depois.
Há tempos esperamos que façam.
Há tempos esperamos a hora certa de fazer.
Há tempos dizemos que se não fizermos, outro o fará.
Há tempos que nos empurramos com a barriga.
Há tempos que não saímos do lugar.
Há tempos sabemos que depende de nós, mas muitos resistem participar.
Há tempos fingimos acreditar em nós mesmos.
Há algum tempo não sei se acredito mais.
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