quarta-feira, 8 de junho de 2011

A bola chorou


A bola chorou.
Depois de anos de arrancadas, dribles e gols, ela perdeu mais um companheiro.
Um companheiro que é apenas mais um, mas O companheiro.
Ela até que tentou agradá-lo.
Por três vezes, ela quase traz de volta o sorriso, a alegria, o grito de gol.
Mas o romeno não quis deixar.
Não sabe ele o mal que fez para milhões de amantes do esporte bretão.
Nos pés daquele menino magrelo e dentuço,
[embora hoje bem rechonchudo,
ela foi feliz.
E como foi!
Em vários países, por várias camisas, nos pés dele muitos sorriram, choraram, se emocionaram.
Milhões junto com ela o viram cair e ressurgir como uma fênix.
Quantas e quantas vezes não duvidaram que ele voltaria?
Ela sempre esteve ao seu lado.
Hoje foi seu último encontro.
Só faltou o gol.
Mas não tem importância: foram tantos os gritos, que a garganta rouca não se importou pela falta de um deles.

Adeus, Fenômeno.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Café

Preto forte
só presta novo
e bem quente.

De manhãzinha
depois do almoço
sempre com a gente.

Chega a noite
e pra aquecer
novamente.

Nas madrugadas
tão solitárias
me compreende.

Velho amigo
de tantas horas
tua semente

é o que desperta
e me ajuda
nesse batente.

Vai um cafezinho aí?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Peleja

Ficar acordado
de madrugada
pesquisando,
perguntando,
filosofando,
viajando entre linhas e ideias,
sonhos e fatos,
planos e mais planos
por mim e pelos outros.

Certas vezes
exagerando
abandonando
por alguns momentos
filho e mulher
tudo em busca
de uma única coisa:
transformação.

Ainda pelejo em acreditar que vale a pena.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

As "Banda"

Estava à toa na vida
a galerinha chamou
pra ir pra o forró dançar
porque as "banda" chegou

Eu tava com muita fome
porque o feijão acabou
mas vou pra o forró dançar
porque as "banda" chegou

O deputado no dia dos comícios falou
e o povo se iludiu com aquela conversa e votou
Depois de eleito, nunca mais deu as caras
e a cidade ficou na miséria

O desemprego na pequena cidade só aumentou
a menininha de 14 anos "embuchou"
a violência e a cachaça também
mas vou pro forró dançar
porque as "banda" chegou

Cabou-se a festa, o povo pra suas casas voltou
e a mesma coisa, fome, choro e briga encontrou
Só teve três dias de folia
voltou a desgraça, cabou-se a alegria

Mais quatro anos de sofrimento e de dor
de abandono por quem diz que nos governou
tô nem aí, voto de novo no homem
porque as banda na praça
foi ele quem colocou...

Uma paródia da música A banda, de Chico Buarque.
O recado foi dado.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Prisões

Máquinas, grades, fios elétricos
prendem e "protegem"
dos perigos que rondam
as pessoas diariamente.
Levantam muros,
constroem prisões,
fabricam armas,
na intenção
de oferecer segurança.
Sem perceber, tornamo-nos prisioneiros
e aumentamos também o medo de viver.

Só a educação liberta.