terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ilusões largadas numa tranquila manhã de segunda-feira

Na mente do homem
já não existe mais esperança.
A fé dissipou-se como se fosse fumaça de fogueira
da folha da bananeira.
Rapidamente, sugeri a mim mesmo
bater em retirada
deixando minha ilusão largada,
meus sonhos, anseios, receios,
jogados ao pé da cama
nessa manhã tranquila de segunda-feira.

Ora, chegaram as férias! Que se dane o mundo!
Após décadas de tentativas,
de lutas negativas,
quase todas vãs (embora sãs),
abraçou a cômoda situação em que se encontrava
e deixou sua ilusão largada,
seus sonhos, anseios, receios,
jogados ao pé da cama
nessa manhã tranquila de segunda-feira.

Eis que surge uma luz.
Mas não era um sinal:
era apenas o reflexo da sua apatia
no espelho quebrado, caído no chão,
que queimava seus olhos ao mostrar sua imagem refletindo
todo o desencanto que os anos
e o maldito andar da carruagem (e seus ignóbeis cavaleiros,
que do alto de suas cocheiras observam a desgraça alheia)
haviam corrompido
e deixado sua ilusão largada,
seus sonhos, anseios, receios,
jogados ao pé da cama
nessa tranquila manhã de segunda-feira.

domingo, 20 de novembro de 2011

BRINCADEIRA DE CRIANÇA

O pequeno Lucas vinha correndo, cheio de perguntas. Queria saber de tudo.

“Mamãe, pra que serve isso?”
“Mamãe, o menino está dirigindo o carro, não é?

A mãe impacientava-se com tantos questionamentos, um atrás do outro. Até ela não sabia mais responder.

“Ah, Lucas! Eu não sei! Vai brincar, vai!”

E Lucas saía correndo. Num momento, estava enfrentando dragões com sua espada. Um instante depois, já estava a caçar dinossauros. Em seguida, ele era um super-herói, que voava em uma espaçonave para outros planetas.

“Fica quieto, menino! Olha a bagunça!”

Lucas nem ligava. A mãe depois arrumava, como sempre.

A hora do jantar era uma guerra.

“Come, menino! Senão esfria!
“Eca! O que é isso? Quero pipoca!”
“Não dou! Você tem que comer tudo. Verduras vão te deixar mais forte.”

Com muito custo, a mãe conseguia fazer com que ele comesse a metade. Normalmente o pai chegava a essa hora. Estava cansado, mas depois de um abraço e um beijo do filho sentia-se bem melhor. Brincavam boa parte da noite, até a hora do noticiário. Embora impaciente, Lucas sentava ao lado dos pais para assistir também. As perguntas ressurgiam:

“Papai, por que aquele homem não parou o carro?”
“Meu filho, papai quer assistir o jornal, tá bom?” insistia o pai.

Logo, Lucas começa a bocejar. O sono chegou. Os pais o levam para a cama e contam historinhas. A preferida dele é “Os três porquinhos”. Após o término, recebe dois beijos no rosto. Então dorme. E no sonho, a brincadeira continua.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gritos



Ecoaram gritos
perdidos
outrora sós.
Agora
eles vem unidos
por uma vontade
de viver.

Ecoaram gritos
sofridos
outrora tristes.
Agora
estão repletos
de um desejo
de alegria.

Ecoaram gritos
abafados
outrora roucos.
Agora
eles vem marcados
por uma sede
de serem ouvidos.

Ecoaram gritos
valentes
outrora tímidos.
Agora
estão ardentes
pela chama
da mudança.



Força e fé, companheiros.

sábado, 17 de setembro de 2011

Bachelor's nostalgy

Enquanto escrevo essas linhas, ouço ao longe uma música dançante.
É uma festa.
Lembro da minha solteirice.
A uma hora dessas, já estava tomando todas e azarando quem quer que fosse.
Brincando com os amigos, dançando, fazendo bagunça...
Bons tempos (e não faz tanto tempo assim)...

Mas hoje, ao chegar em casa, assisti a um filme na TV, abraçado ao meu filho.
De repente, ele me disse: "Papai, eu te amo."
Isso me encheu os olhos d'água.
Quer saber?
Sinto falta daquele tempo não.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Novidade

Cheguei cansado em casa e liguei a TV para ver as notícias.
Novamente, o apresentador falava da situação nos hospitais brasileiros.
Seguiram-se as notícias.
Professores acorrentaram-se como forma de protesto aos baixos salários.
Deputados não foram trabalhar semana passada.
As obras dos estádios para a Copa do Mundo estão atrasadas (como se fossem a coisa mais importante do mundo)...
Os atores globais continuam sorrindo sem parar, em seus melodramas surreais, onde os pobres têm até TV a cabo.
Pelo menos hoje vai ter o concurso de Miss Universo.
Não que seja útil, mas enfim, é alguma novidade.