quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gritos



Ecoaram gritos
perdidos
outrora sós.
Agora
eles vem unidos
por uma vontade
de viver.

Ecoaram gritos
sofridos
outrora tristes.
Agora
estão repletos
de um desejo
de alegria.

Ecoaram gritos
abafados
outrora roucos.
Agora
eles vem marcados
por uma sede
de serem ouvidos.

Ecoaram gritos
valentes
outrora tímidos.
Agora
estão ardentes
pela chama
da mudança.



Força e fé, companheiros.

sábado, 17 de setembro de 2011

Bachelor's nostalgy

Enquanto escrevo essas linhas, ouço ao longe uma música dançante.
É uma festa.
Lembro da minha solteirice.
A uma hora dessas, já estava tomando todas e azarando quem quer que fosse.
Brincando com os amigos, dançando, fazendo bagunça...
Bons tempos (e não faz tanto tempo assim)...

Mas hoje, ao chegar em casa, assisti a um filme na TV, abraçado ao meu filho.
De repente, ele me disse: "Papai, eu te amo."
Isso me encheu os olhos d'água.
Quer saber?
Sinto falta daquele tempo não.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Novidade

Cheguei cansado em casa e liguei a TV para ver as notícias.
Novamente, o apresentador falava da situação nos hospitais brasileiros.
Seguiram-se as notícias.
Professores acorrentaram-se como forma de protesto aos baixos salários.
Deputados não foram trabalhar semana passada.
As obras dos estádios para a Copa do Mundo estão atrasadas (como se fossem a coisa mais importante do mundo)...
Os atores globais continuam sorrindo sem parar, em seus melodramas surreais, onde os pobres têm até TV a cabo.
Pelo menos hoje vai ter o concurso de Miss Universo.
Não que seja útil, mas enfim, é alguma novidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

É FODA!



Com o perdão da palavra, mas é foda.
Esse país é uma fuleragem (isso lá na minha terra quer dizer "bagunça").
Sou mais um profissional da Educação brasileira (falida, por sinal) e ainda tenho que ouvir uma dessas. Essa nossa profissão é foda.

O cabra levanta cedo todo dia - muitas vezes depois de ter ficado até altas horas pensando em que como vou fazer pra chamar a atenção dos meus alunos - pra enfrentar mais um dia de trabalho. Agora é trabalho mesmo! No melhor sentido da palavra. Você dá bom dia pra 40 cabecinhas (nem todos respondem) muitas vezes completamente desinteressadas no que você tem a dizer (eu sou professor de inglês, tu imagina aí), pois estão muito mais preocupados em comentar que matou a Norma (foi a Wanda, mas a novela já acabou), o que fulana estava fazendo ontem, que beltrana disse que ela era metida, etc, etc, etc... Oxe, nada a ver. Quando a gente menos espera lá vem o primeiro:
"Professor, fulano tá caçando conversa! Vou dar um murro nele!"
Aí a gente tem que intervir:
"O que foi, rapaz?"
"Foi ele quem começou."
É uma zuada do cão. Sem contar a festa que os alunos fazem quando toca o sinal. É uma gritaria danada e você é praticamente escurraçado da sala. Enfim, segue essa linha aí. Todos os dias. Tem que ter uma paciência de Jó, senão endoida.

Temos também a cobrança: "o professor tem que ser exemplo", "você tem que rever seu planejamento", "procure variar a sua metodologia" e a mais cruel, normalmente ao reprovar um aluno: "o que você fez pra que esse aluno aprendesse?". Todo mundo pinta e borda o tempo todo nesse país e você tem que ser santo. Quando as coisas vão bem (se é que se pode dizer isso) a propaganda é que o Governo investe, constrói isso, aquilo... Mas como está mal, a culpa é do professor. Parece que a gente vive num círculo vicioso que no final das contas não quer que a coisa ande. A TV aberta, meu Deus do céu, é só leseira. Tinha dois gays na novela, mas o mais interessante era mostrar a bunda da Deborah Secco (eu não sou gay! Mas também não desrespeito). Lógico, dá mais audiência. Discutir homofobia pra quê? Nosso estado "laico" (eu faço é rir) não aceita e o existem situações mais adequadas a isso. A música atual é só putaria: a molecada aprende a transar antes de aprender a pensar. É o caos total.

Pra terminar, vem um "representante" do povo (deixe de onda, rapaz!) dizer que a gente tem que dar aula por amor. Trabalhar de graça pro governo, enquanto esses safados pintam e bordam com o erário público, jurando de pé junto (mas com os dedos cruzados atrás das costas) que estão fazendo de tudo para combater a corrupção. Quero ver se ele põe os filhos dele na escola pública. Duvido.

Tá vendo? É foda mesmo, rapaz.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Qualquer coisa

Qualquer coisa é motivo pra escrever.
Uma notícia,
uma piada,
alguém passando na rua,
um "causo" contado por um amigo,
uma velha paixão, uma saudade...
Depois que acontece, a gente só observa,
lembra o que foi (mais ou menos)
e escreve.
Assim mesmo.
Mas agora tô sem assunto.
Por isso fiquei enrolando até agora.
Aliás, acabei escrevendo enrolação.
Tá vendo?
Qualquer coisa serve.