No meio do caminho havia uma pedra.
Aliás, haviam várias pedras, espinhos e algumas bifurcações.
Pedras e espinhos sempre há, independentemente do caminho a se seguir.
O que mais atormenta o ser humano são as bifurcações.
Elas certamente são o grande desafio do caminhar.
À medida em que nos aproximamos delas, aumenta a dúvida sobre para qual lado devemos rumar nossos passos.
Uma pena não haver árvores frondosas em que possamos nos recostar e simplesmente observar o momento em que a estrada se divide.
As pernas se movem automaticamente, inexoravelmente levadas pelo relógio dos dias que seguem, dando passadas uma após outra, sem cessar, simplesmente cumprindo sua função na estrada:
a de seguir em frente.
Ao encontrar as bifurcações, o que muitas vezes tememos não é o seguir, mas o que poderíamos encontrar se decidido fosse seguir pela outra mão do caminho.
De qualquer modo, a natureza cumprirá seu curso e acabaremos por seguir por uma dessas trilhas.
Inicialmente receosos, seguiremos andando, novamente colhendo flores, encontrando pedras e espinhos até a próxima bifurcação.
Que inevitavelmente surgirá, enquanto estivermos caminhando.